O lado B de Notting Hill

Foto de uma rua em Notting Hill. Casinhas coloridas, mas em tons terrosos. Um senhor na porta de casa abrindo o guarda-chuva.

Começava a chover e o morador saía de sua casa abrindo o guarda chuva.

Minha imagem mental de Notting Hill nunca havia ultrapassado os limites sugeridos pelo filme de mesmo nome, protagonizado por Julia Roberts e Hugh Grant. Melhor dizendo, eu nunca havia tomado conhecimento desse bairro de Londres antes de assistir à história de Anna Scott e William Thacker, em 1999. Eu, como muitos outros turistas, quis ir até lá motivada pelo filme, de onde eu conhecia o lugar.

E devo dizer que, ao passear pelas simpáticas ruas com suas casinhas fofas, coloridas e singelas, minha ideia de Notting Hill não mudou nada não. Continuou sendo um bairro bem inglesinho e querendo ser cool. De fato, as moradias de arquitetura vitoriana foram construídas pela alta sociedade. Mas durante a Segunda Guerra Mundial, bombardeios alemães abalaram algumas das construções.

Foto de uma rua de Notting Hill.

Cores inabaláveis mesmo quando o céu se torna cinza, como foi o caso minutos depois.

Só depois de procurar me informar sobre sua história, é que tomei conhecimento de que o bairro ganhou fama (pré-filme) foi com imigrantes caribenhos, que começaram a ir para lá depois da Guerra e passaram a ocupar os casarões abandonados. Tempos depois, as casas foram divididas para que a população pobre pudesse alugá-las.

Eu na porta de uma casinha lilás. E um gato na janela, dentro da casa, me observando.

E o gato na janela, dentro da casa, olhando para mim e pensando: “Ridícula.”

Notting Hill foi cenário também de episódios muito tristes e lamentáveis de hostilização racial na década de 50. Em 1959, imigrantes, precisamente de Trinidad Tobago, tiveram então a ideia de se manifestar de uma maneira alegre e pacífica para pôr fim a essa tensão. Nascia o Carnaval de Notting Hill, que se assemelha ao carnaval do Rio, com fantasias, esplendores, plumas e biquínis. Acontece todos os anos no final do mês de agosto. Agosto??! Não sei o motivo, mas posso chutar que é por causa de agosto ser verão. Seria difícil encarar um fevereiro de inverno britânico em trajes menores pela rua.

Um forte atrativo de Notting Hill é a feira Portobello Road/Market, que aparece onde? No filme, claro. Mas como o evento ocorre somente aos sábados, eu não tive a oportunidade de conhecê-lo. Devo admitir, porém, que não sou muito fã de feiras de antiguidades, roupas etc. Na ocasião, fui a uma outra, a Camden Market, em outra parte de Londres, e o setor de comidas muito me agradou.

Enfim, passei uma tarde muito agradável em Notting Hill e confesso que até me imaginei vivendo em uma daquelas casinhas cujas cores desafiam, com sua alegria, qualquer mau tempo, e dirigindo um carro bem ao estilo de Mr. Bean. Refiro-me ao estilo do automóvel, não à maneira como o cara conduz o veículo.

 

Gostou?

4 ideias sobre “o lado B de NOTTING HILL

  1. Maria Cidália de Figueiredo Rivas

    Adorei saber essas curiosidades sobre Notting Hill. O seu jeitinho de narrar é muito interessante e nos faz querer ler até o final. Parabéns!
    Fico aguardando novas histórias. Sei que vc tem muito o que contar.

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  2. Maria Cidalia de Figueiredo Rivas

    Adriana,
    Sei que tem muita gente que lê as suas histórias e gosta bastante. Elas até se divertem muito com algumas delas, mas têm preguiça de curtir e comentar. Ou será vergonha? Que pena! Bjs!

    Responder

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