O lado sincero do Haggis.

Quando se viaja a um lugar, deseja-se conhecer sua cultura, sua História, seu povo, sua natureza e sua comida, claro. Pelo menos eu sou assim.

Na Escócia não foi diferente. Antes de chegar em tal país, ainda passeando pela Irlanda, uma colega de excursão, paquistanesa, que já havia estado em terras escocesas, me disse que eu TINHA que provar o Haggis. E voltou a dizê-lo outras vezes mais.

Padrão decorativo.

Já em Edimburgo, capital escocesa, paramos em um restaurante, uma amiga brasileira e eu, para jantar. “Ummm… Haggis… Acho que vou pedir, é típico daqui!”, disse eu, olhando o cardápio. Ao que a minha amiga comentou: “Eu pediria, mas tenho receio de pedir algo que não conheço. Podia ter uma foto aqui, para a gente ter uma ideia de como é.

Quando a garçonete se aproximou para anotar os pedidos, minha amiga perguntou: “Por favor, estamos querendo pedir o Haggis, mas seria possível ver alguma foto para saber como é? É que não fazemos ideia do que seja.” A mocinha disse: “Oh, sim!” E rapidamente pegou, da outra mesa, uma cartolina A4 plastificada. Pensei: “Nossa! E não é que ela tinha uma foto, separada, do tal prato mesmo?”

Minha amiga pegou a cartolina e começou a fazer caras estranhas. Pensar que a foto estava horrível era pouco para justificar as expressões dela. Como a foto de um prato típico poderia provocar aquelas reações?

Ela me passou o papel e eu me surpreendi ao não encontrar nenhuma imagem ali impressa, mas sim um enorme texto! Era a descrição do prato, em letras garrafais, impressa e plastificada. Vai entender…

Comecei a ler e me dei conta perfeitamente do que havia acontecido. A definição ali impressa era algo como: “Estômago de carneiro recheado com fígado, pulmão e coração do mesmo, previamente cozidos com banha animal, triturados, misturados com cebola e aveia.” Havia mais texto, mas só me lembro disto.

Gente! O que é isso? Precisa de tanta sinceridade? Estão muito mal de marketing! Esse povo tem que aprender com o pessoal da salsicha. Cadê a Turma da Mônica para dar uma aliviada nesse panorama?

É claro que, depois desse golpe de realidade, desistimos do prato. Pedi algo mais hipócrita e cervejas típicas. Uma, que se chamava Joker, the beer that makes you smile, eu adorei e veio bem a calhar para aquela situação.

No entanto, ainda tínhamos uma semana de excursão pela frente e, um ou dois dias depois, o jantar no albergue era o quê? Haggis! Ou melhor, peito de frango recheado com o Haggis, ou seja, a massaroca de órgãos cozidos com cebola e aveia no estômago do carneiro. E estava gostoso.

O Haggis tem uma origem controversa, mas sabe-se que inicialmente era uma comida para pessoas pobres, por conter partes menos nobres do animal. Originalmente, sim, era utilizado o estômago do carneiro como recipiente para cozinhar a mistura de miúdos. Atualmente, usa-se uma película parecida com a de linguiça. Mas os miúdos continuam sendo os miúdos de sempre. É um prato forte e bastante condizente com a região de clima tão frio, muito ao norte do globo.

Infelizmente não tirei nem uma foto do Haggis, mas não é nada que uma rápida googlada não resolva. ;-)

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6 ideias sobre “o lado SINCERO do HAGGIS

  1. Paula

    Já tinha ouvido falar desse prato …hahahhaa
    Qualquer semelhança com buchada de bode é mera coincidência… Kkkkk
    Minha mãe uma vez recebeu uma vizinha nova pra almoçar que resolveu levar um prato preparado por ela pra nos presentear. Era Buchada de Bode! Hahahaha e a mulher era daquelas insistentes não sossegou enquanto não me fez provar… Argh… Odiei!
    Bjs

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    1. facebook-profile-pictureadrivas Autor do post

      É, buchada de bode é mais ou menos isso, né? E olha que o nordeste do Brasil é quente! Eu acho que provaria a buchada. Acho, não. Se bem me conheço, tenho certeza! Bjinhos!

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