O lado pessoal de Stonehenge

Foto de Stonehenge ao longe, rodeada de visitantes. Vê-se um gramado ver de um céu com nuvens escuras.

Parece que o ritual de hoje em dia é caminhar em volta das misteriosas pedras.

Um amigo meu me perguntou o que senti ao estar diante de Stonehenge. E eu lhe respondi que eu me senti dentro de um livro. Que era um daqueles lugares que, para mim, pareciam inalcançáveis quando criança.

Com essa resposta, fica claro que o meu interesse com relação ao famoso alinhamento megalítico era pessoal e emocional. Não sou historiadora, nem geóloga, antropóloga ou algo do tipo. Sou apenas o resultado de uma criança curiosa que viajava nas páginas de enciclopédias e revistas.

A ideia que eu tinha de Stonehenge era a de uma construção dessas cheias de mistério e sobre a qual ninguém chegou a conclusão alguma ainda. E não é que eu estava certa? Deve ter sido por isso que eu não fiquei decepcionada.

Foi em outubro do ano passado (post escrito em outubro de 2015) que decidi fazer uma viagem para conhecer Londres. Salisbury, a cidade que alberga as conhecidas rochas, situa-se a um pouco mais de duas horas da capital inglesa e eu considerei aproveitar e ir também até lá. Uns amigos meus, que já haviam estado ali, me disseram que não valia a pena. Acho sempre perigoso seguir esse tipo de dica. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, já dizia o poeta português.

De fato, se a intenção é fazer de Stonehenge um cenário para o seu café da tarde ou para a sua tarde de compras, o lugar não é o mais indicado. Digo isto porque o motivo que se alegava de não valer a pena era o fato de não haver nada em volta.

E eu pergunto: precisa? Se o objetivo do passeio é ver Stonehenge de perto, qual a diferença que faz se tem algo em volta ou não? Pior seria se houvesse mil lugares para se tomar café em volta e as pedras mesmo não estivessem lá.

As pirâmides de Gizé também não estão em um lugar particularmente bonito. Estão em um lugar cheio de areia. E elas, em si, não são as construções mais bonitas deste mundo. Mas eu adorei estar ali com elas! O valor que elas têm é histórico. Assim como Stonehenge, carregam a magia de terem sido contemporâneas a tanta gente de civilizações tão antigas, que chega a dar um arrepio pensar e tentar imaginar tudo que se passou por ali.

Stonehenge de perto e o gramado bem verde.

Aquele passarinho foi o único que pôde chegar bem perto.

É por isso que tenho certa dificuldade em dar dicas, quando me pedem. Acredito que quem faz a importância dos lugares é a pessoa que os visita. Cada um tem a sua motivação.

Mas se você, assim como eu, se vê fascinado por esse local que está envolto por mistérios, pesquisas científicas e lendas, certamente irá apreciar a visita.

Antes mesmo de se chegar exatamente lá, é possível ver as pedras, ao longe, da estrada. Claro! Como não tem nada em volta, fica fácil essa proeza. E é bonito contemplar o conjunto megalítico rodeado de pessoinhas. Fico imaginando qual deve ter sido a sensação das primeiras pessoas da nossa época ao avistar a estranha disposição de pedras. Acho que a primeira pergunta que todos fazem é “Quem fez e colocou aquilo lá?”. Muito mais do que “O que é aquilo lá?”

Segundo investigações, o conjunto começou a ser montado cerca de 3000 aC. Puderam ser identificadas fases de construção (ou de uso, quem sabe), definindo supostas aparências que Stonehenge teve ao longo dos anos. Ou milênios!

No Museu que há ali, pode-se apreciar a provável transformação do conjunto e da paisagem em uma projeção de 360 graus. Não se chegou a nenhuma conclusão definitiva ainda, como mostra aos visitantes o conteúdo do museu. Quando ainda não havia meios de determinar a datação arqueológica, muitas especulações ganharam status de verdade que perduram até hoje na cultura popular. O caso dos druidas, por exemplo. Muita gente associa Stonehenge aos druidas, mas eles, até onde se sabe, apareceram na Grã-Bretanha somente depois de 300 aC. Claro que pode ser que eles tenham utilizado o local para suas cerimônias, mas eles não estão ligados à origem do conjunto megalítico, então.

Foto minha com Stonehenge ao fundo.

Esta é para mostrar que eu estive lá. E o passarinho continua na pedra. Estaria colado?

A teoria mais aceita é que a existência de Stonehenge está relacionada ao povoado Durrington, que fica próximo a Salisbury. Segundo arqueólogos, foi encontrada ali um espécie de réplica do conjunto, feita em madeira.

Eu acho que o mais fascinante é a maneira como essa estrutura de Stonehenge está construída. A composição de círculos concêntricos revela interesse pela geometria. Também é bastante conhecida a coincidência entre fendas e um acidente geográfico que, no solstício, se alinham, fazendo com que a pessoa que estiver no centro da estrutura possa admirar a entrada de um feixe de luz solar. Adoro essas artimanhas. Há quem defenda que a sua função era ser uma espécie de calendário. Mas há, também, quem tenha outra possíveis soluções para o mistério.

Embora não se saiba com certeza o motivo pelo qual o conjunto pré-histórico foi projetado e erguido, me parece totalmente maravilhoso o modo lúdico, segundo o meu ponto-de-vista, de unir céu e terra. Parafraseando uma querida amiga, acho que, no final das contas, o que eles faziam eram “brinquedos gigantes”. Designers da pré-História, enfim.

::::::::::::::::::::::::::::

Para saber mais ou aguçar a curiosidade:

:: Stonehenge na Wikipedia

:: Mangueira curta resolve mistério de Stonehenge (Não resolve, mas ajuda a esclarecer. Manchete inadequada)

::::

Informações práticas:

:: Site de compras de ingressos

:: Trem (Inserir Salisbury como destino e, muito provavelmente, Londres como origem.)

:: Ônibus em Salisbury para chegar a Stonehenge (É um ônibus tipo hop-on hop-off, de turismo, com dois andares.)

:: Sixt Aluguel de automóveis (Para quem prefere ir de carro alugado.)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *