O lado embasbacante de Epidauro

Foto tirada da última fileira. Se vêem montanhas e vegetação ao fundo.

Da última fileira da arquibancada do Teatro Antigo de Epidauro. Uau!

Como contei em outra ocasião, a minha intenção com relação à Grécia era simplesmente conhecer Atenas – lugar mítico e capital do país – e uma ilhazinha grega qualquer apenas para que eu me sentisse em um dos paraísos em cujas fotos babava há um bom tempo. “E lamba os beiços!”, dizia eu a mim mesma. Meu senso de pão-durice sempre foi muito aguçado. Que dificuldade tive de começar a soltar dinheiro. Porém foi graças à tacanhez do prólogo da minha vida que eu pude me dar esses pequenos luxos.

E que melhor luxo e melhor presente eu poderia dar a mim mesma que não uma bela e completa viagem cultural? Grécia… Quem diria? E, mais do que Atenas, um circuito pelo Peloponeso e Meteora. Além das principais ilhas. Bom, eu já contei como se deu a mudança de planos de “Atenas+1ilha” para “Atenas+Peloponeso+Meteora+Ilhas”. De maneira que não contarei de novo.

Hoje, olhando umas fotografias minhas, me lembrei da minha visita a Epidauro. O módulo do pacote de viagem que se chama Circuito pelo Peloponeso compreende cidades muito importantes e conhecidas nossas dos livros de História, que estão nessa península, o Peloponeso. E Epidauro é uma delas. Ou melhor, podia ser. Sim, porque Epidauro era uma cidade da Antiga Grécia. Hoje não é mais uma cidade, mas o sítio arqueológico onde ela está é chamado assim. Então, posso dizer sim que estive em Epidauro.

Aquele dia foi justamente o primeiro do circuito. Eu estava em Atenas e o guia, Leftheris, acompanhado de Angelus, motorista daquele que seria o nosso ônibus de excursão, foi passando de hotel em hotel para buscarmos todos nós, pessoinhas que havíamos comprado o pacote. Reunida toda a tropa, fomos em direção à Olímpia, onde nos hospedaríamos no final do dia. De Atenas a Olímpia, passamos por diversos lugares e um deles foi o sítio arqueológico de Epidauro. Isso de manhã cedinho, óbvio, para aproveitar o dia e o sol mais fraco, porque, depois das três da tarde, meu Zeus, é um calor de rachar o coco, no verão. E ninguém foi ali para pagar penitência, não é verdade?

O Teatro Antigo de Epidauro visto do chão.

O Teatro Antigo de Epidauro visto do chão.

O Teatro visto de cima.

E, agora, visto lá de cima!

Já disse em outro post que o guia era fantástico e vou dizer mais uma vez: o guia era fantástico. Verdadeiro e natural em seu modo de falar, nos brindava com conhecimento a todo instante. Descemos do ônibus e fomos diretamente para uma sombra, perto do Teatro Antigo. Que espetáculo! Não, não havia nenhuma apresentação ali naquele momento. Mas o teatro em si, sua construção, sua imponência eram um verdadeiro espetáculo.

Além do Teatro Antigo, Epidauro é conhecida também pelo Santuário de Esculápio, deus da Medicina que, na Antiguidade, atraía pessoas de vários lugares. Por incrível que possa parecer, os dois pontos (hoje, turísticos) têm relação entre si. O Teatro também auxiliava na saúde. Como? Bom, milhares e milhares de espectadores viam seus problemas representados nas atuações dos hipócritas, como eram chamados os atores. A esse processo de liberação de emoções contidas dá-se o nome de catarse. A catarse era tida como um elemento terapêutico bastante importante.

Essa maravilha da arquitetura foi construída na primeira metade do séc. IV a.C., pelo escultor e arquiteto Policleto. Apesar de bastante castigado pelo tempo (ou seja, diversos fatores durante todo este tempo que passou até hoje), o Teatro Antigo de Epidauro é um dos mais bem conservados. Um de seus atributos mais conhecidos é ter a acústica perfeita. Tendo sido projetado para acomodar 14 mil pessoas, os sons emitidos pelos atores lá embaixo podiam ser ouvidos até mesmo na última fileira da arquibancada. Aliás, podiam, não. Podem! Ainda hoje, pode-se comprovar essa façanha.

Eu ao lado do Teatro.

Pessoa feliz ao lado do Teatro Antigo de Epidauro.

O guia, depois de sua explanação, nos liberou para que pudéssemos entrar no teatro e fazer a prova nós mesmos. Disse que tínhamos 10 min para isso e que, em seguida, nos dirigíssemos ao Santuário de Esculápio, onde ele estaria nos esperando. Desculpem, queridos, mas não poderei contar-lhes sobre a minha experiência no santuário. Meu fascínio e embasbacamento diante do teatro fizeram com que eu me perdesse no tempo. Subi todos os degraus e, ali, na última fileira, fiquei. Entrei em alfa. Um lugar mágico. Pelo menos, para mim, foi.

Só sei que, quando desci, todo o grupo havia sumido. E então me lembrei da orientação do guia, mas já não dava mais tempo de procurá-los. Pouco tempo depois, vieram todos e Leftheris disse: “Ah, era você a ovelha desgarrada.” Enfim, terei que voltar lá para ver o Santuário de Esculápio. Fazer o quê, não é?

Eu em uma das fileiras da arquibancada.

Modo de parar no tempo: ativar!

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