O lado gonçalense do Egito

Imagem de uma rua em Lúxor, Egito.

O tom bege de tudo, o calor, a poeira e as construções inacabadas me fizeram lembrar de algumas partes da cidade de São Gonçalo – RJ.

Cá estou me lembrando da minha ida ao Egito. Foi muito boa toda a excursão e, como se diz aqui, as fotos “molan mucho”! Ou seja, são muito legais as fotos que fiz.

Algo que me chamou a atenção foi o contexto das cidades pelas quais passei naquele país. Algumas vezes jurei que tinham me transportado para São Gonçalo sem me avisar. Tive até um pouco de dor de cabeça. Sério!! Seria o Egito uma imensa São Gonçalo? Isso dá um bom título para um livro.

Em favor da vizinha de Niterói, tenho a dizer que o Egito demonstra muita pobreza, que nem se compara. Em contra à vizinha, tenho que dizer que São Gonçalo não tem pirâmides, nem esfinges, nem templos milenares, nem os hotéis Hilton e Ritz-Carlton. Hahahaha! Imagina só!

Agora, onde os dois lugares empatam é na concentração de fumaça, areia e acachapante calor.

Foi tudo bem no aeroporto e no avião, na ida. No voo, havia um grupo de espanhois que estavam indo juntos para o norte do Egito fazer mergulho. Sim, estavam todos muito animados e festeiros. Havia senhoras e senhores, moças e rapazes, meninas e meninos. Mentira. Não havia meninos. Só meninas, entre as crianças. E havia um cara que adorava falar alto e fazer gracinhas. Começou a dizer, antes de o avião decolar, que havia um fundamentalista ali dentro. Ha     ha    ha… Que graça……………

Achei curioso que, antes de tudo, passaram um vídeo que mostrava uma mesquita e uma voz falando algo serenamente em árabe. Devia ser alguma oração, sei lá. Transmitia paz.

As aero velhas, digo, aeromoças, pareciam ser tudo, menos comissárias. Umas roupas larguíssimas e cobrindo pernas e braços. Uma delas usava o tal lenço na cabeça. Eu até pensei que ela fosse passageira.

Pelo meu tom, vocês já devem estar percebendo que eu estou meio implicante. Naquele momento, eu não estava. Sempre gostei da beleza das mesquitas, da geometria decorativa das mesmas e tenho por hábito adorar a diversidade. Mas é que no final de tudo, achei essa filosofia muçulmana irritante. O motivo contarei em outro post. Ou não.

Chegando ao aeroporto do Cairo, um senhor da agência estaria em algum lugar para me levar ao local do visto. Mas onde? Fiquei levemente preocupada com isso, mas relaxei, pois tinha certeza de que ele apareceria em algum momento. Continuei seguindo a boiada e, de repente, escuto: “Adriana Rivas!” Segui a voz e lá estava ele. Era Ahmed, com a plaquinha da agência e meu nome escrito. Havia outro nome na plaquinha: Anthony McGregor, o pai da família mais adorável companheira de viagem que eu poderia conhecer.

Dali fomos ao local de mostrar o visto e, então, nos dirigimos ao nosso portão de embarque, onde encontraríamos Muhammad Ali, o guia que nos acompanharia por toda a viagem, incluindo esse segundo voo do Cairo a Lúxor, onde estava o navio.

Bastante animado e muito simpático, o guia nos disse que gostaria de ser chamado simplesmente de Ali (pronuncia-se Áli) e nos explicou como seria o nosso cruzeiro, a primeira parte da excursão que contratei na mesma agência que me levou à Grécia.

A pergunta que não queria calar, por parte das crianças (bem, adolescentes), era a que horas teríamos que nos levantar no dia seguinte. Sim, isso já era lá para as 23h e ainda tínhamos mais um voo pela frente.

Ah sim! Deixem-me apresentar a família. Anthony, ou simplesmente Tom, é escocês e casado com Rosana, ou simplesmente Rosa, espanhola de Santander, mas que viveu muitos anos em La Coruña. Seus filhos, María, ou simplesmente Mari, e Antonio, ou simplesmente Toni, são nascidos em Madri, mas viveram a maior parte do tempo em Barcelona, tendo retornado a Madri ano retrasado, com a família, claro. São trilíngues, sabendo falar Espanhol, Inglês e Catalão. Sobre este último, seu pai comentou não servir para muita coisa.

Mari e Toni já estava esgotados e muito cansados da viagem, assim como todos nós, mas eles eram os únicos que exerciam a sinceridade sem pudores. E assim foi durante toda a aventura egípcia. Qual não foi a sua surpresa quando Ali disse que nos levantaríamos às 5h. Sim, uma viagem ao Egito não é sinônimo de férias e piscina.

Ali nos contou que o dia seguinte seria um dia bastante importante, pois visitaríamos muitos templos seguidamente. O navio permaneceria atracado em Lúxor e só partiria à parada seguinte depois das 16h, quando teríamos tarde livre. Por “livre” entenda-se nos limites físicos da embarcação, claro.

Chegamos por fim, à 1h30 da madrugada ao navio Sonesta Moon Goddess, um dos melhores navios de cruzeiro pelo Nilo. Ah! Deixem-me contar que, no pacote que comprei, o navio era bem mais modesto. Por obra do destino, um dia antes da viagem, recebi um email da agência me dizendo que o meu navio original não iria operar e que, por isso, eu tinha sido transferida para o Sonesta, muito melhor e mais caro, pelo mesmo preço. Que delícia!

Foi apenas conhecer o restante do grupo e descobrir que a sorte bateu à porta de todos. Segundo o guia, mesmo o Sonesta estava com menos da metade de sua capacidade de passageiros. Fácil concluir que o outro navio, então, não tinha quase ninguém e foi por isso que ele não ia operar. Bom, a sorte foi obra do destino e dos terroristas que vem afugentando os turistas cada vez mais. Somente os fortes e sem-noção como eu e os demais passageiros perseguiram o sonho de conhecer o Egito, pelo visto.

E, pequeno detalhe: dias depois, Ali nos disse que, em outros navios, ele NUNCA come da comida do cruzeiro, pois não confia. Mas no Sonesta, sim. E eu pensando que a minha sorte tinha sido poder viajar com mais conforto no cruzeiro, pagando bem menos. Que nada! Minha verdadeira sorte foi não ter uma diarreia e me esvair pelo Nilo. Por isso, a dica de ouro: se for fazer um cruzeiro por ali, escolham o Sonesta Moon Goddess e não esperem a sorte do destino!

Bom, como eu dizia, chegamos ao navio à 1h30. Jantei, tomei banho, sequei este pouco cabelão e, com isso, já eram 3h da madrugada! Para acordar às 5h. Só mesmo a empolgação de conhecer magníficos templos e ruínas para um ser humano se levantar a essa hora, depois de duas míseras horas de sono e muitas de viagem de Madri até ali.

Imagem de uma casa atual no Egito.

Segundo o guia, esta construção é uma casa. Esse tipo de decoração também me lembrou alguns estabelecimentos comerciais que vi em São Gonçalo. Pelo menos, deu cor à paisagem árida!

Dia seguinte, todos a postos, depois do café-da-manhã, para sair e visitar, primeiramente, os Templos de Karnak e Lúxor. Para, em seguida, conhecer o grandioso Vale dos Reis, o incrível Templo de Hatshepsut e os Colossos de Memnon. Só voltaríamos no final da tarde ao navio. Emocionante!

Gostou?

2 ideias sobre “o lado GONÇALENSE do EGITO

  1. Maria Cidália de Figueiredo Rivas

    Quando a agência de viagens cancelou a ida ao Egito por causa dos terrorista, eu vibrei de alegria. Cheguei a dizer para vc ir conhecer Dubai. Vc disse que então preferia ir pra India. Outro lugar que nem em sonhos quero conhecer. Enfim… O governo do Egito abriu novamente as fronteiras e lá foi vc conhecer a poeira e a falta d’água internacionais. O “lado bom de tudo” foi o Cruzeiro de Navio, onde vc pode tomar banho, beber água e se alimentar com tranquilidade. Adorei a narrativa. Bjs!

    Responder
    1. facebook-profile-pictureadrivas Autor do post

      Mamãe querida, obrigada pelo comentário. Mas saiba que eu ADOREI conhecer o Egito, com poeira e tudo. Por mim, eu conheceria o mundo todo. Porque acho que devo conhecer tudo. Em tudo há beleza. Eu pude tomar banho, beber água e me alimentar durante toda a excursão, ou seja, também no Cairo. Se pudesse, voltaria. É triste constatar que eu estava protegida em um navio e um hotel excelentes, enquanto a grande maioria da população local vive uma pobreza diária. Espero, sinceramente, que um dia essa situação seja superada. Muito se fala da crise da Europa, mas a África está gritando socorro ininterruptamente há séculos. Acho que a tal crise, de que tanto se fala hoje em dia, só vai acabar de vez quando todos os povos estiverem bem. Caso contrário, será esse vai-e-vem para sempre. Acabei escrevendo mais do que o que o seu comentário me “pedia”. Quero dizer, porém, que entendo o seu medo. Só não sabia dele. Você o escondeu muito bem! :-)

      Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *