O lado mágico de um castelo.

Uma parte do castelo, vista de fora.

Apenas uma pequena parte deste impávido colosso.

Já ouviram falar do Castelo de Stirling? Situado em Stirling, na Escócia, exibe uma impressionante arquitetura e repousa sobre uma colina, a Castle Hill (Colina do Castelo), composta de rocha vulcânica. Ou seja, trata-se de um imenso castelo em cima de uma imensa pedra, com precipícios em três dos seus lados. E isto, por si só, já seria fascinante.

Como sempre se pode surpreender, o Stirling Castle, como é conhecido por ali, não deixa por menos. Seus pátios internos são muito bem cuidados e seu interior é de fato uma surpresa.

Bom, para mim, foi uma surpresa, já que eu cheguei lá sem me informar previamente sobre o que iria ver. Tendo estado antes dentro de outros castelos da mesma época, muito me admirou o resultado da sua impecável obra de restauração.

A ideia do projeto foi trazer de volta todo o ambiente da época do Renascimento. Para isto, cada detalhe foi minuciosamente trabalhado. Tudo parecia estar estalando de tão novo. Móveis, paredes, tapetes, tapeçarias. E as cores? Vibrantes que só elas.

Stirling, junto com o Castelo de Edimburgo, é um dos mais importantes da Escócia e foi cenário de diversas batalhas e mudou de dono várias vezes, tendo sido destruído e reconstruído em muitas ocasiões. Sua origem remonta o séc. XII e passou de ser propriedade de escoceses para propriedade de ingleses algumas vezes. Sua estrutura atual é, em sua maioria, dos séculos XV e XVI sendo muito escassas as partes medievais.

Foi morada de vários reis e rainhas da Escócia. Os James IV, V e VI e as rainhas Marie de Guise e Mary Stuart, entre os anos de 1496 e 1583. E é esse período que o projeto de restauração pretendeu reproduzir. E, olha, ficou marvelous!

Normalmente, quando se visita uma construção antiga, fica-se imaginando como seria aquele lugar, que aparência devia ter em seu momento de uso, como seu espaço deve ter sido utilizado, que pessoas o frequentavam e como se vestiam. Não? Bom, eu sim.

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The Royal Apartments

No Stirling Castle, porém, não há muito espaço para divagações acerca do tema. Está tudo absolutamente mobiliado, decorado e até povoado, digamos assim. Eu simplesmente adorei a obra do interior do castelo, mas, à primeira vista, tem um ar de falso, pelo simples fato de não estarmos acostumados a associar os interiores desses lugares históricos ao novo e recentemente feito.

Tive um professor, não me lembro qual, que dizia achar engraçado o fato de, nos filmes de época, pergaminhos aparecerem todos arrebentados e deteriorados. E ele dizia que, naquela época, o pergaminho estava novo. Nós é que o encontramos deteriorado. Mas naquela época, ele era novo sim. E acho que esse professor tem razão.

Por isso, por estarmos tão acostumados em visualizar coisas antigas em estado de deteriorização, entrar no Stirling Castle pode nos fazer sentir que estamos visitando um castelo na Disney. Mas penso eu que é puro preconceito. No sentido da palavra mesmo, ou seja, de ter uma ideia pré-concebida de algo.

A visita é salpicada de intervenções por parte de atores devidamente caracterizados. De modo que é bem natural entrar em um cômodo do castelo e se deparar com Marie de Guise, por exemplo. Esta forma de situar o visitante no contexto histórico é bem imersiva e divertida.

Algumas paredes do castelo eram decoradas com tapeçarias onde figurava um unicórnio. Historiadores que estudaram o período de James IV chegaram à conclusão de que esse tipo de tapeçaria com essa temática compunha a decoração do castelo naquela época. A equipe de restauração, então, foi até o Metropolitan Museum of Art, em Nova York, a fim de analisar uma série de tapeçarias que, segundo as pesquisas, seriam bem semelhantes às que supostamente enfeitavam o palácio real. Aliás, o símbolo no logo do Stirling Castle é um unicórnio.

Outro item decorativo que me chamou muito a atenção foram as cabeças esculpidas em madeira que revestiam o teto do quarto do Rei. São chamadas de Stirling’s heads e retratam reis, rainhas, outras personalidades e figuras bíblicas.

Duas das "cabeças" esculpidas em madeira no teto. São bem coloridas.

The Stirling’s heads no teto.

Deixando o interior do palácio real, me surpreendi mais uma vez. Como diria a minha mãe, eu sou igual a um bebê novo, sempre me admirando ou me assustando. Na parte externa, continuando o itinerário, havia uma espécie de cova e uma placa sinalizando “The Great Kitchens”.

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The Unicorn is Found, uma das tapeçarias.

As cozinhas do castelo eram lugares onde eram preparadas as comidas para a realeza. Ali não havia atores caracterizados, mas sim imóveis bonecos de cor bege mas bastante expressivos, retratando os serviçais em ação. O trabalho devia ser muito estressante, já que os seus gestos eram bastante enérgicos. Alguns tinham semblante cansado.

Todo o ambiente das cozinhas era bastante rústico. As paredes de pedra e os móveis de madeira. Gostei muito de ver o cuidado em representar as comidas e os ingredientes com modelos bastante realistas. Sério, uma graça!

Foi muita pena ter que ir embora do Stirling Castle. Como eu estava em uma excursão, havia hora para retornar ao ônibus. E a hora de chegada ao castelo também foi determinada pelo guia e o planejamento da agência. Mas, se eu voltasse lá, eu iria de manhã, almoçaria alguma bobagem na cafeteria que há para os visitantes e só sairia no final da tarde.

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Ela estava quietinha, mas começou a contar um monte de histórias!

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Ela estava quietinha, mas começou a fazer um monte de micagens! Em The Great Kitchens.

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Eu fui perfeita para me camuflar entre os bonecos beges. Botando ordem na cozinha! The Great Kitchens.

Veja mais:

*site oficial do Stirling Castle

*a série de tapeçarias do unicórnio, no Metropolitan Museum of Art

Leiam também:

:: o lado ACONCHEGANTE das HIGHLANDS ::

:: o lado SINCERO do HAGGIS ::

:: o lado FOFO de uma LEMBRANÇA ::

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