O lado prático de viajar com cachorro em avião.

Lupe eu com tulipas na Holanda.

No parque Keukenhof, em Lisse, na Holanda.

Tenho uma grande amiga que mora com minha grande Mamãe, no Brasil. A vinda da minha mãe a Madri era algo já muito desejado há bastante tempo. Quando houve a oportunidade, decidimos que Lupe, essa grande amiga minha, viria também a Madri com a nossa querida Mamãe.

Lupe é uma cachorrinha yorkshire terrier. É pequenina e muito atenta e carinhosa. As coisas de que ela mais gosta de fazer são: passear, cheirar todas as pedras, postes, manchas pelo caminho, fazer quinhentos xixis, fazer festinha para praticamente todos os humanos que encontra, tomar aguinha de coco, comer pedacinhos de banana e ficar grudada na Mamãe. Essa Mamãe é a minha mãe. Mamãe é o nome da minha mãe para Lupe, meu irmão e eu.

Por isso, nada mais coerente que ela viesse também a Madri. Lupe entende muitas coisas, mas ela não sabe compreender o que é um dia, um mês ou dois meses. Como houve pessoas que saíram de casa e nunca mais voltaram (não estou me referindo a mim), por que deixar a bichinha apreensiva, em casa, enquanto a Mamãe viaja durante dois meses? Mesmo sabendo que ela seria muito bem cuidada pelo meu irmão, decidimos que Lupe viajaria de férias com a Mamãe.

O fato de ela ser pequena e, por isso, ter permissão para viajar junto com os passageiros no avião, também influenciou na nossa decisão. Se fosse para viajar no porão, preferiríamos que ela ficasse em casa. A menos que se tratasse de uma mudança definitiva de país ou uma viagem para uma longa estância.

Outro fator importante é que nós adoramos a Lupe e, se pudermos passear com ela onde for, nos o faremos. A sua companhia implica, muitas vezes, um condicionamento nos passeios. Há muitos lugares onde a entrada de cães é permitida, mas há muitos outros onde não é. A prioridade é sempre ela. Onde Lupe não puder entrar, nós não entraremos. Ou revezaremos para ficar com ela.

E como viajar com cachorros em avião?

Bem, o “prático” no título do post se refere muito mais ao fazer e realizar do que ao ser fácil. Nós tivemos sorte porque uns amigos meus já haviam viajado de avião com o cachorro deles e me passaram algumas informações.

Então, vamos lá!

Lupe voou do Rio de Janeiro para Madri, na Espanha. Os trâmites pelos quais passamos se referem à entrada de cães na Espanha, vindos do Brasil, então. Para muitos outros países da Europa os requisitos são os mesmos, de modo que este post será útil para muitos casos.

Para entrar na Europa, é necessário um documento chamado CZI (Certificado Zoossanitário Internacional). O CZI é expedido por um órgão governamental chamado VIGIAGRO, vinculado ao Ministério da Agricultura.

E o que é preciso para solicitar o CZI?

Para conseguir o CZI, são necessários estes documentos:

  • comprovante da microchipagem
  • caderneta com o registro de que o cachorro tomou a vacina antirrábica
  • laudo da sorologia com taxa satisfatória de anticorpos
  • atestado médico de saúde do cachorro
  • passagem de avião

Em outras palavras, você precisa que apliquem um microchip no seu cãozinho, precisa vaciná-lo contra a raiva e precisa que lhe façam um exame de sangue para que se comprove que ele têm a quantidade adequada de anticorpos no organismo. Todo esse processo leva uns cinco meses, então a viagem deve ser planejada com bastante antecedência.

Mamãe e Lupe em um campo de margaridinhas.

Em Miraflores, Comunidade de Madri, Espanha.

O chatinho disso tudo é que esses passos que você deve seguir são separados por períodos de tempo nada flexíveis.

A primeira coisa que se deve fazer é levar o cachorro para que lhe apliquem o microchip de acordo com as normas ISO 11784/11785. Essa especificação é importante porque, assim, não haverá problema de ele ser lido na Europa.

A segunda coisa a ser feita é aplicar a vacina antirrábica. As vacinas de campanha não servem para esse caso. E algo muito importante é que, na caderneta de vacinação, o veterinário coloque o selo da vacina, com fabricante, lote, data de fabricação, data da vacina, validade, carimbo e assinatura do veterinário. E atenção! Essa data tem que ser posterior à data de aplicação do microchip. Ou seja, o microchip tem que ser aplicado antes de levar o cãozinho para ser vacinado.

Normalmente os cães já estão vacinados, né? Quem é louco de deixar a antirrábica vencer? Mas, como o microchip tem que ter a data de aplicação anterior à data da vacina, o que se deve fazer é colocar o microchip e levar para vacinar depois, mesmo que a vacina anterior ainda esteja em vigor. Eu fiquei pensando: “Será que não faz mal vacinar antes da vacina anterior vencer?” O nosso veterinário disse que não. E então lá foi Lupe ser vacinada! :-)

Já temos microchip, já temos vacina… E agora, o que maaaais?? Acertou quem respondeu o laudo da sorologia. O que isso significa? Temos que levar o cachorro para fazer um exame de sangue. Mas esse exame só pode ser feito em São Paulo. “Affff… Tenho que ir a São Paulo para fazer isso?” A resposta é não. Em todo o Brasil há clínicas veterinárias que coletam o sangue do cachorro e o enviam para São Paulo. O sangue, não o cachorro!

A clínica que Lupe costuma frequentar não fazia esse serviço. Então procuramos uma que fizesse a coleta do sangue e o enviasse para ser examinado em São Paulo. Mas, espera um pouco! O dia que você vai levar o cachorro para a coleta de sangue depende do dia em que ele foi vacinado. Só pode coletar o sangue exatos 30 dias depois de tomar a vacina.

O resultado do exame demora umas quatro semanas para sair. E, quando ficar pronto, a taxa de anticorpos deve ser de, no mínimo, 0,5 UI/mL.

Nesse momento, você já pode ligar para o VIGIAGRO e agendar um atendimento. A data desse atendimento depende da data de coleta do sangue para a sorologia. Você tem que pedir um horário para um dia exatos 90 dias depois da data da coleta de sangue. Os funcionários são uma simpatia, principalmente o Sr. Wilson, que é um fofo. Eles vão enviar, por email, uns formulários que você deverá preencher e levá-los lá para eles, no dia marcado, junto com os demais documentos. Nem todas os campos nós sabíamos preencher. Então, minha mãe deixou alguns em branco e lá os funcionários do VIGIAGRO ajudaram.

O VIGIAGRO, no Rio, fica no Aeroporto do Galeão, mas em uma parte bem longe do que é o aeroporto em si. Então, o melhor é pegar um táxi e ir até lá. Ou ir de carro. Porque não é lá muito acessível.

Lupe e eu numa praia em Oliva, Espanha.

Em Oliva, Comunidade Valenciana, Espanha.

Ah, mais uma coisinha. Falta o atestado de saúde. E ele tem que ser expedido pelo veterinário 72h antes da ida ao VIGIAGRO. Ou seja, três dias antes. É bom olhar o calendário e ver qual o dia que cai. Se é um fim-de-semana, um feriado ou algum dia em que o seu veterinário não atenda. No nosso caso, caía numa quinta-feira santa. Avisamos ao veterinário com antecedência e ele, muito amavelmente, atendeu a Lupe e emitiu o atestado.

Por causa de haver essas datas tão rígidas, o que eu acho melhor é escolher a data da viagem levando em conta essas datas chatinhas do trâmite. Aí você pega o calendário, escolhe uma data, faz as contagens dos dias de acordo com o explicado acima e chega a alguma conclusão sobre que data é a melhor para viajar.

Depois de levar tudo no VIGIAGRO e receber, por fim, o CZI, você e seu cãozinho têm até 10 dias para embarcar. Ou seja, leve em conta esses 10 dias de prazo para viajar também, quando for escolher a data da viagem.

Na hora de comprar a passagem, você tem que reservar o lugar do seu cachorro no voo. Essa reserva só pode ser feita por telefone. Como minha mãe comprou a passagens através de uma agência, o pessoal da agência fez a reserva para a Lupe. “Precisa pagar algo para levar o cãozinho no voo?” Sim. Existe uma taxa que depende da companhia aérea e das origens e dos destinos. No caso de Lupe, foram 240 dólares para ir e 240 dólares para voltar, pela Iberia. Essa taxa deve ser paga na hora dos embarques e na moeda local.

Como disse antes, Lupe é pequena e pôde viajar junto com os passageiros. Na Iberia, o peso máximo para poder levar o cachorro em cabine são 8 kg, o conjunto cachorro+caixa de transporte. E falando da caixa de transporte, ela também tem que atender a algumas especificações de tamanho, não podendo passar de 45 cm de comprimento, 35 cm de largura e 25 cm de altura, no caso da Iberia. Ou a soma das três dimensões não pode ultrapassar 105 cm. Também é pedido que o fundo da caixa seja impermeável e que ela seja resistente. O cachorro tem que ficar o tempo todo dentro da caixa, durante o voo. E, para o seu conforto, ele tem que poder deitar na caixa e dar uma volta completa dentro dela. Ah, a Iberia pede que a caixa seja flexível, se for para levar o cachorro junto com os passageiros. Lembrando que, para viajar no porão, as especificações da caixa são outras.

“Nossa! Coitado do cachorro. Tanto tempo dentro de uma caixa de transporte.” Cada um conhece o seu cachorro e sabe o que é melhor para ele. Nós tínhamos a certeza de que Lupe passaria bem durante a viagem e que adoraria aproveitar todo aquele tempo de férias com a Mamãe. Então, cada um sabe de si e do seu animalzinho de estimação. No nosso caso, nós pensávamos “Nossa! Coitada de Lupe! Tanto tempo no Brasil esperando a Mamãe voltar de uma viagem de férias.” E foi por isso que decidimos que ela iria também.

Lupe viajou, se divertiu, já voltou para o Brasil e está maravilhosa.

Aliás, ninguém fala nada sobre, mas, para voltar ao Brasil, também existe um trâmite e nós suamos para descobrir como fazê-lo. Depende de cada país de onde se vá voltar. No nosso caso, era Espanha. Mas isso eu conto outro dia, se alguém tiver interesse. Em todo caso, fica a dica: quando voltar para o Brasil, também é necessário correr atrás de uns papéis oficiais e é bom não contar com a sorte.

Links úteis:

. site do VIGIAGRO

. Pequenos Monstros (site que me ajudou bastante)

. Como levar o seu cachorro para os EUA – Blog Depois dos Quinze (não foi o meu caso, mas pode ajudar também)

Lupe e a Torre Eiffel.

Oh là là!

Mamãe e Lupe em Bilbao.

Em Bilbao, no País Vasco, Espanha.

Nós três em um restaurante.

Em um restaurante, em Madri.

Gostou?

2 ideias sobre “o lado PRÁTICO de VIAJAR COM CACHORRO EM AVIÃO

  1. Maria Cidália de Figueiredo Rivas

    Já comentei, mas não sei onde foi parar.kķkkk Enfim… Eu disse que quando resolvemos que Lupe viajaria comigo e tivemos que ir a vários lugares com datas agendadas, eu me senti numa gincana. Graças a Deus deu tudo certo no final.

    Responder

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