O lado tarado de um quati.

Uma das últimas fotos tiradas.

Contemplar as Cataratas do Iguaçu é algo realmente arrebatador. É hipnotizante olhar para aquela quantidade absurdamente grande de água que jorra sem parar. Tanto é que eu, quando estive lá, não me desfiz do desejo de captar o máximo possível daqueles momentos e movimentos.

A minha obsessão era tanta que eu nem me preocupei se aquelas gotas de água iriam danificar a minha querida câmera fotográfica. E, cá entre nós, não eram somente gotas, mas sim, lambidas de água, bem incisivas e intensas.

Logo eu, que tenho tanto cuidado com todos os meus apetrechos! Eu fico realmente chateada quando minhas coisas começam a se estragar. Na minha cabeça, tudo tem que durar décadas. E não é que a minha máquina fotográfica fosse assim uma Brastemp. Aliás, se a Brastemp se lançasse no ramo da fotografia, eu ia ficar tão desconfiada quanto fico quando vejo os tais travesseiros com tecnologia da NASA. Mas, enfim. A minha câmera não era uma super câmera não. Era bem simplesinha, mas eu gostava muito dela e queria que ela tivesse ainda muitos anos de clics.

Pois é, pessoal, mas aconteceu. Enquanto eu caminhava pela passarela que fica pertinho das quedas d’água, depois de um jato de água de uma das cataratas, minha máquina começou a ter achaques. De repente, o display ficou de uma cor só para, em seguida, apagar-se para sempre.

Naquele momento, eu ainda não sabia que era o fim e quis heroicamente salvá-la. Meu primeiro instinto foi secar tudo que estivesse molhado nela. Mas aí é que está! Com o quê? Eu não tinha absolutamente nada seco para poder cumprir essa missão. Primeira coisa a ser feita? Sair dali.

Procurei, então, a lanchonete do local. Existe um barzinho perto das cataratas. No Parque Nacional do Iguaçu, há restaurantes bastante amplos e variados. Mas existe uma lanchonete pequena que se situa bem próximo às cataratas propriamente ditas. Cheguei lá e pensei: “Preciso de um guardanapo.” Mas eu não ia pedir um guardanapo no balcão só por pedir. Eu sou assim, fazer o quê? Tive que comprar algo para, no meu entendimento, ser digna de usar um guardanapo. E assim foi.

Pedi à moça da lanchonete um quibe, que veio acompanhado de um belo de um guardanapo. Ela me entregou o lanchinho e me disse: “Cuidado com os animais, tá?”

Animais? Ah, ela estava se referindo aos quatis, claro. Ok, não era mesmo minha intenção alimentá-los. Aliás, longe de mim querer fazer isso! Não tenho essa vontade de dar comida para animais. Porque tem gente que tem, né? Tem gente que não pode ver um animalzinho que logo quer dar alguma porcaria para ele comer. Já eu, acho que se o animal tem dono, é o dono quem tem o direito e o dever de fazer isso. E, se é silvestre, como era o caso, eu e nem ninguém devemos bulir na alimentação silvestre dele. Mas o que eu estava fazendo ali, mesmo? Ah, procurando um guardanapo para secar a máquina.

Olha um deles aí!

Meio sem jeito, segurando o quibe e, ao mesmo tempo, tentando tirar a água da câmera fotográfica, totalmente absorta naquela função, fui avisada de que havia algo com quê me preocupar. Olhei para o chão e lá estava um adorável quati que me fitava como que querendo algo de mim. Oh, que graça! Tão fofo.

A experiência que tinha era com passarinhos e pombas. Eles rondam, ciscam e vão embora. Inclusive, vão embora por qualquer movimento que se faça, assustadiços que são. Mas o quati, meus amigos… O quati não saía dali. Ele queria o quibe. E parecia que não iria se render sem luta.

Resolvi me poupar daquele desconforto e me afastei dali, óbvio. Qual o quê! O bicho veio atrás. Enquanto isso, um outro indivíduo da mesma espécie pulava no balcão da lanchonete e se preparava para pegar alguma guloseima. Jesus! Aquilo era sério, hein? Sem querer (ou querendo), eles estavam me mostrando do que eram capazes.

Um pouco nervosa já, com aquele sujeitinho no meu pé, eu andava para lá e para cá. Mas não adiantava, ele continuava avançando para cima de mim. Além da situação para lá de esquisita, vinham à minha mente as imagens dos cartazes que eu tinha visto por todo o parque. “Não alimente os quatis!” “Cuidado! Eles podem te ferir e transmitir doenças!” Não eram exatamente essas as mensagens, mas era algo do tipo. Os cartazes vinham, também, com fotografias de mãos humanas cheias de sangue. Tudo isso passou na minha cabeça. E funcionou. Porque, mesmo eu estando totalmente acuada por aquele quati, eu não joguei a toalha. Ou melhor, o quibe! Não mesmo.

Sem pensar duas vezes, abri a minha boca o máximo que podia e me danei a atochar o quibe para dentro de forma nunca antes vista na história desta pessoa que vos escreve. Quem me conhece sabe que eu costumo comer quase que exageradamente devagar. Digo “quase” porque, para mim, não é exagero. Eu gosto de comer devagar. Mas as pessoas, vocês sabem como são, né? Sempre tem alguém para me falar: “Noooossa! Como você come devagar! Quantas mastigadas você dá?” Realmente, tem muita gente que sofre de falta de assunto. Paciência.

Mas, então. Vocês podem ter uma ideia de quanto foi difícil para mim, fazer desaparecer, sem rastros, aquele quibe. Mas eu consegui. E o quati se foi, de patinhas abanando. Vitória!

Esse aí achou alguma coisa. Tadinhos! Estão viciados em comida de humanos.

Sai daí, menino, que essa comida faz mal para você!

Xiiii… Foi com tudo.

Saibam mais:

. Site oficial do Parque Nacional do Iguaçu

Vejam também:

:: o lado GRANDIOSO das CATARATAS DO IGUAÇU ::

Gostou?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *