O lado nudista de Barcelona

Era relativamente comum ouvir falar da ocorrência de pessoas nuas em Barcelona, quando comecei a morar lá, na temporada de 2008/2009. “Gente pelada na cidade era assunto de rodinha de amigos, Adriana?” Não foi isso que eu quis dizer. O “relativamente” não foi usado à toa aqui.

Antes de ir morar em Barcelona, o tema em questão não estava presente na minha vida cotidiana em nenhum grau, em Niterói ou no Rio. E, sabe-se lá por quê, quando passei a ser moradora daquela cidade, não é que o assunto fosse muito frequente, mas ele passou a existir.

Logo nos primeiros dias, ao me encontrar com uma amiga minha, também brasileira, que conheci pela internet, fiquei sabendo que ela tinha visto, não fazia muito tempo, um homem pedalando uma bicicleta completamente nu.

As torres (pináculos) do templo da Sagrada Família, entre uns ramos de uma árvores.

Esta é a Sagrada Família, atrás de uns ramos de árvores.

Em outra ocasião, na universidade, colegas meus comentaram que tinham visto um senhor que caminhava sem nenhuma peça de roupa sequer no corpo. Não era inverno, obviamente. Eu, até uns bons meses vivendo lá, ainda não tinha sido contemplada com tal irreverência urbana.

Foi quando, em um belo dia de sol (e calor), estava eu tranquilamente almoçando com um amigo, na parte externa de um restaurante. Nessas mesinhas que se põem na calçada, no verão. Eis que me dizem: “Não olhe agora, mas vem vindo, na nossa direção, um homem pelado!” É claro que não obedeci, virando a cabeça para trás imediatamente. Mas, óbvio, procurando ser discreta. Na medida do possível.

Gente, e não é que ele estava mesmo nu? Vinha ele, tranquilão, dando suas passadas calmamente e sem nenhuma sombra de constrangimento, como era natural. Afinal, se a pessoa se dispõe a passear sem roupa pela cidade, é porque é sua vontade. Pelo menos naquele contexto.

Na cadência do caminhar, o seu pênis — somos adultos, por que usar outro vocábulo que não este? — ia “ploc, ploc, ploc”, como um pêndulo. Para frente e para trás, não de um lado para o outro, por favor. Isso, sim, seria extraordinário.

Mais uma foto de uma cena cotidiana em Barcelona. Não, eu não tirei foto do cara, óbvio. Usem a imaginação.

Em Barcelona, há praias onde é frequente a prática do nudismo. E, durante o tempo em que estive morando lá, me pareceu que andar sem roupa pela cidade, mesmo fora das praias, era permitido. Afinal, esse acontecimento presenciado por mim não tinha sido um caso isolado e, pela minha experiência (de ver, não de fazer), me pareceu algo dentro da lei. Não sei como está atualmente.

Só para deixar registrado aqui, devo dizer que outras pessoas também estavam olhando. Eu não era a única deslumbrada que não sabia manter a serenidade e a concentração focada somente no almoço. Mas todos estávamos bem comedidos. E achei isso bom, já que, se o tal senhor queria andar nu, ninguém tinha nada com isso.

E a vida transcorreu naturalmente em Barcelona.

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