O lado poderoso de uma palavra.

Entrada da ponte que leva ao castelo. Vê-se o castelo ao fundo.

Sejam bem-vindos ao Eilean Donan Castle! Por aqui! Por aqui!

Como já contei em outras ocasiões, em outubro de 2014, fiz uma excursão à Escócia, com uma amiga brasileira, a Carol. A ideia era conhecer diferentes pontos do país e, por isso, concluímos que fazer os percursos com excursões seria mais prático, já que aos lugares que queríamos ir não se chegava facilmente com transporte público.

Carol, que já tinha um prévio conhecimento sobre as principais atrações turísticas escocesas, fez um levantamento dos passeios mais interessantes e que incluíam, em seus itinerários, os principais castelos. Olha que maravilha!

O motorista, vestindo o kilt, oferecendo uma comida a um veado.

Vocês que são escoceses, que se entendam!

Gostamos muito das programações diárias e da dupla de guia e motorista. Este último dirigia o nosso ônibus sempre vestindo um kilt de padronagem tradicional com as cores azul, branco e vermelho. Bastante típico. Ou melhor, bastante atípico, já que ele foi o único escocês que eu vi usar kilt enquanto estive ali. Divertido, fazia o estilo senhor bonachão e, às vezes, tinha um senso de humor mal-humorado. Sabem como?

Já o guia se vestia de maneira mais dentro do esperado. Calça jeans e camisa. Durante as viagens, nos contava um pouco do que iríamos ver adiante e, entre uma explicação e outra, colocava músicas especialmente escolhidas pois sempre contava um pouco sobre cada canção também. Fazia o estilo locutor de rádio. Adorei! Parece bobagem, mas até hoje, quando escuto algumas das músicas da sua playlist, me lembro com alegria dos passeios.

Apesar desses pontos positivos, algo começou a nos decepcionar.

Estávamos passando, sim, por todos os castelos que haviam anunciado no itinerário. No entanto, não estávamos entrando em nenhum deles! A coisa era passar na frente deles e… pimba! Bye bye, so long, farewell!

Mandando um excuse me no idioma de Shakespeare, Carol perguntou, então, ao guia, por que não estávamos entrando nos castelos. Ao que ele lhe respondeu que visitar castelos nos faria perder tempo demais da viagem. “Oh, my god! This is ridiculous”, pensamos. Mentira. Não sei se Carol pensou isso, mas eu sim. E com sotaque britânico.

Nesse mesmo dia, uma das paradas era uma fábrica de whisky. Ok, whisky também faz parte da cultura escocesa. Porém, nessa visitinha, estivemos uma meia hora lá dentro. Vimos toooodas as etapas de fabricação da bebida, com direito a guia especialista e tudo. E, no final, tivemos um tempo livre, olhem que beleza. Onde? Ah, na loja de whisky, onde nos serviram amostras também.

Eu ao lado de um barril de whisky com o ano do meu nascimento, 1980.

Foto clássica com um barril da minha idade, na fábrica de whisky. Fiquei até vermelha ao lado desse barril bege bonito.

Carol e eu estávamos indignadas com o tempo que estávamos empregando naquela fábrica e calculando quantos castelos poderíamos ter visitado em vez de estar ali. Conversando ininterruptamente em português, dizíamos, uma para a outra, que era injusto estar tanto tempo numa fábrica de whisky e que pelo menos um castelo a gente merecia conhecer por dentro etc. etc. etc. E que, quando terminasse a excursão, iríamos mencionar a nossa insatisfação no Tripadvisor. Isso estávamos falando em uma conversa particular entre nós duas.

Ao final da degustação de whisky, voltamos ao ônibus para seguir caminho.

No dia seguinte, passaríamos por mais um castelo. Qual não foi a nossa surpresa quando o guia, dentro do ônibus, pega o microfone e diz: “These two lovely ladies want to visit a castle. Would you mind if we stop and visit the Eilean Donan Castle?” Diante da proposição ao grupo, de que parássemos e entrássemos no castelo, o pessoal respondeu que não haveria problema nenhum em “perder” alguns minutos por lá.

E foi assim que pudemos conhecer por dentro esse bonito castelo construído no início do séc. XIII e que tem uma História bem movimentada. Foi erguido, originalmente, para servir de defesa contra vikings. Desde o seu início até o séc. XVI, passou pelas mãos de diversos donos, diversos clãs. Foi restaurado entre 1919 e 1932 e foi dessa restauração que foi feita a ponte que se vê nas minhas fotos. Momento wikipedia.

Fotos de Carol e eu no pátio interno do castelo.

Nós divando no pátio interno do Eilean Donan Castle. Vitória!

Hoje em dia, o Eilean Donan Castle é muito usado para celebrações como casamentos e aniversários. Ironicamente, não tenho nenhuma foto do seu interior. Mas o castelo tem página no facebook, onde ele se mostra por inteiro e nas mais variadas situações e condições climáticas.

Nessa excursão, o Eilean foi o único castelo no qual entramos. Mas, ainda na Escócia, com outro grupo (e mesma agência), visitamos o maravilhoso Stirling Castle, o meu preferido! Por isso, recomendo sim a agência, mas é bom perguntar antes se, nas paradas do ônibus, os castelos são visitados ou não. Não perguntamos porque pensamos que fosse óbvio que sim. Mas não era.

De qualquer forma, achei simpático, por parte do guia, levar em consideração a indagação da Carol. Mas nada me tira da cabeça que ele, sem que nos déssemos conta, estava ouvindo a nossa conversa em português lá na fábrica de whisky. Imagino que ter escutado algo como “Yada, yada, yada, TRIPADVISOR. Yada, yada, yada, TRIPADVISOR. Yada, yada, yada, TRIPADVISOR, acompanhado de duas caras zangadas, foi um catalisador poderoso.

 

Eu na ponte que leva ao castelo. E o castelo ao fundo.

A pose clássica do frio nas mãos.

Foto do castelo e a ponte.

É bonito ou não é?

* Site oficial do Eilean Donan Castle

* Sobre o Eilean na wikipedia

* A agência

Vejam também:

:: o lado MÁGICO de UM CASTELO ::

:: o lado SINCERO do HAGGIS ::

:: o lado ACONCHEGANTE das HIGHLANDS ::

:: o lado FOFO de UMA LEMBRANÇA ::

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