o lado fantástico de Delfos

De baixo para cima: duas colunas, uma colina, a vegetação de árvores e ciprestes e as montanhas.

Para o alto!

Imagine viver em uma cidade construída a muitos metros de altitude e dona do umbigo do mundo. A sua cidade é nada menos que o centro do universo. Erguida sobre formações rochosas de extrema beleza natural, seu entorno é repleto de frondosas árvores e ciprestes.

E você pode até ter muitas dúvidas sobre a sua vida e o seu destino, mas nunca sobre consultar ou não a pitonisa, uma atenciosa sacerdotisa cuja origem tem a ver com uma sábia serpente guardiã do Santuário de Gaia, a Mãe Terra.

Visitar Delfos e suas ruínas nunca é um passeio trivial. Para mim, que contei com as explanações de um guia maravilhoso, foi como viver uma espécie de teletransporte no tempo.

Havíamos passado a noite em Itea e, bem cedinho, às 7h da manhã, já estávamos prontos para ir rumo ao sítio arqueológico de Delfos. O ônibus da excursão nos deixou na entrada do sítio e, vestindo roupas e calçados confortáveis, fizemos uma longa caminhada, sempre subindo mais e mais.

Como chegamos na primeira hora de abertura ao público, o lugar estava calmo e poucas eram as pessoas que transitavam por ali, permitindo o sossego e relaxamento necessários para uma boa imersão nas histórias que o guia nos contava.

As ruínas do templo com suas colunas e as montanhas ao fundo.

Ruínas do Templo de Apolo.

Composição com duas fotos: uma do céu com algumas nuvens e outra do omphalos, o umbigp do mundo, que é uma pedra ovalada.

E aí está: o umbigo do mundo! O “omphalos”.

É incrível conceber Mitologia como História. Eu, que sou uma pessoa com um parafuso a menos, com frequência imagino mundos com paradigmas diferentes. Na verdade, muitas vezes não é preciso nem imaginar, basta viajar. Neste mesmo mundo que habitamos, há muitos outros contidos. Porém, no que se refere a coisas fantásticas, estas ocorrem de forma um tanto escassa. Ainda bem! (Não sei se digo esse “ainda bem” de forma sincera.)

E é aí que entra Delfos. Um lugar, no nosso planeta. Uma cidade-estado que foi um dos berços da civilização ocidental atual, cuja História é generosamente permeada por Mitologia.

O oráculo de Delfos é um dos mais lembrados oráculos do mundo. Originalmente sendo regido por Gaia, a Mãe Terra, tinha uma guardiã, a serpente Píton. Aliás, Píton é o nome original de Delfos. Há mais de uma versão do mito e uma delas se refere à deusa Têmis como herdeira do santuário, depois de sua mãe Gaia. Têmis estava relacionada às leis da natureza, à organização, à justiça. Ela era a própria pitonisa, ou seja, a própria voz do oráculo. Na prática eu não sei como se dava isso.

Templo do oráculo

E este é o Templo do Oráculo!

Sim, porque aceitar que uma sacerdotisa fale em nome de uma deusa é mais fácil do que conseguir visualizar a própria deusa transmitindo o oráculo sem intermediários. Mas, pensando um pouco e tentando aceitar isso com boa vontade, imagino que o oráculo era a própria natureza em ação. A forma como ela se organizava, se mostrava e se equilibrava. Mas isso sou eu que estou dizendo. E, se é isso mesmo, achei muito bonito.

O caso é que tudo se transformou quando Apolo deu o ar de sua graça. Há quem diga que ele herdou o santuário através de árvore genealógica. Mas existe outra versão — e é a que eu me lembro de ouvir o guia contar — que diz que Apolo matou a serpente e ficou com o santuário para ele. A partir daí, a pitonisa era uma mulher sacerdotisa que revelava o oráculo inspirada por Apolo. Essas mensagens estão registradas na literatura grega, tendo havido muitos autores que o mencionaram.

Algo que me pareceu muito interessante foi a informação de que pesquisadores sugerem que havia uma rachadura no solo que liberava vapores, e estes podiam ser o motivo da inspiração da sacerdotisa. Muito embora hoje em dia não haja essa emanação de gases, estudiosos consideram essa explicação.

O fato é que o oráculo teve grande relevância política. Líderes o consultavam para saber se era vantajoso entrar em uma guerra ou não, por exemplo. Pessoas comuns também faziam uso dele e iam tanto de Delfos mesmo como de lugares mais distantes, pedir por previsões e orientações.

Delfos é, sem dúvida alguma, um destino a se conhecer. Saí de lá com a sensação de ter participado um pouco da sua História. Mesmo que na fase “sítio arqueológico” e com o papel de turista.

Ruínas

Olha o Templo de Apolo aí de novo!

Eu em primeiro plano e o templo ao fundo.

Felicidade!

hhhh

Isto é o que eu chamo de foto mágica.

Sobre o Sítio Arqueológico de Delfos:

. Ancient-Greece.org

. Site da UNESCO

Sobre a agência em Madri:

. Grecia Vacaciones

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